Possíveis Razões Para O Mau Humor Matinal

Nos carros, caras feias ao volante. Nos coletivos, rostos zangados pilotando os bichos. Nas motos gente com raiva do mundo, buzinando ensandecidos gritos de “sai da frente!”, sobre suas caquéticas máquinas.

Se não for em razão das péssimas notícias que nos despejam os impiedosos programas de TV e rádio, mais o que nos vem pela telinha-nossa-de-cada-dia, o estado de humor rascante das pessoas em sua crudelíssima jornada casa-inferno (ops…trabalho) deve ser obra dos mais perversos capetinhas, todos eles com PhD em infernizar a vida dos pobres mortais, sobretudo dos mais de 10 milhões que saem de casa todos os dias pela manhã, em nossa valente São Paulo, capital do não menos valente estado de mesmo nome.

Nos carros, caras feias ao volante. Nos coletivos, rostos zangados pilotando os bichos. Nas motos gente com raiva do mundo, buzinando ensandecidos gritos de “sai da frente!”, sobre suas caquéticas máquinas. Nas calçadas, gente de cara de dor de barriga renitente, olhando o desfilar de outras gentes pilotando veículos bufantes, porejando fumaça preta e cancerígena.

Mau humor de lascar, matéria dominante entre o piso duro do chão arranhado por nossos pés e pneus e céu com as carrancudas nuvens, do qual nos é servida uma porção para que entremos no clima e sintamos em nossas bocas um gostinho de boldo e losna concentrados. E tome-lhe “bom dia” sem eco, frases guturais e ininteligíveis saindo de gargantas ásperas para ouvidos indiferentes, ao som da cacofonia de freadas bruscas e de toda sorte de palavrões…e a proteção dos óculos escuros para olhos secos por não ter pelo que chorar.

Temo que seja mistério decifrável apenas pelos cronistas de costumes das décadas vindouras, com os quais não ousaria terçar armas, assim como me recuso a  advogar o manto de verdades para minhas observações de dia-a-dia, porém creio que possam vir a ser boas razões:

a)     A possibilidade do acontecido (ou não…) durante as noites de marchas e contramarchas entre lençóis.

b)     Ter que ir para um emprego chato, cheio de gente chata, reportando-se a um chefe chato, fazendo um trabalho chato e ganhando um salário…achatado.

c)     Ter visto um selfie no Facebook com biquinho mais pontudo e olhar mais lânguido ou ao lado de um(a) parceiro(a) afetivo mais bonito e charmoso que o do(a) próprio(a).

d)     Perceber que os carros à frente, atrás e aos lados são mais novos, bonitos e caros que o próprio.

e)     Os radares, marronzinhos, vendedores ambulantes, os assaltantes, a presença extorsiva do Estado, as notícias sobre as neuroses nas instituições pátrias, os outdoors com sobras de campanhas políticas, as músicas que reverenciam glúteos e regiões outras de tão escassa nobreza, o atendimento dos balcões de lanchonetes, padarias e coisas do gênero e, para servir como a cereja do bolo, a mistura de dívidas com escassez nos bolsos.

f)      Tudo o acima, da letra  a até a letra e, tudo junto em cima do sujeito e mais um clima de calores africanos, alternando com chuvas amazônicas e mais a perspectiva de que tudo pode piorar, com a sempre notável contribuição da administração pública e seus acólitos.

Bem…se não acertei, encerro esse texto com uma sensação de que cheguei perto e sinto-me pronto para a parte que cabe nesse pomar de maus humores!

Autor: Benedito Milioni

42 anos de carreira em Gestão de Pessoas, como técnico, gestor e prestador de serviços.

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