O Custo Escondido da Maledicência

Embora seja assumida como traço de cultura e aceita como apenas parte do folclore organizacional, a maledicência em todos os seus matizes e versões costuma fazer um estrago imenso no espaço corporativo. Desde a mais pretensamente inocente “fofoquinha social”, passando pelo “babado irado” e a sua expressão mais abjeta e cruel expressa na calúnia e na difamação, a maledicência campeia solta e com suas fauces horrendas, dilacerando reputações e carreiras e fazendo com que o ambiente de trabalho pese sobre as pessoas e a saúde emocional de todas.

A pessoa maledicente é um caso próprio para psiquiatria: é uma doença originada nos desvãos do caráter gosmento e que, autoimune, cresce e se enfurece no seu próprio rastro e nas sombras do mal distribuído para todos os cantos do tecido social. Esta pessoa perde o senso do limite e não se compraz em apenas espalhar boatos e suscitar dúvidas sobre a reputação das suas vítimas: ela quer (e consegue!) destruir o que possa lhe parecer como a beleza que não, a competência que não seja própria, a promoção que jamais será pensada para ela e, o que pior, a felicidade que nem de longe passou e ela sabe que não passará em sua bisonha e amarga vida.

O custo da maledicência não combatida e deixada livre como vírus após um espirro de pessoa mal educada é extraordinário: perde-se gente da melhor qualidade, porque sofreu o ataque da língua viperina e isso custa muito! Somam-se prejuízos visíveis na queda de produtividade tanto no desempenho da vítima dessa espécie de “bullying” quanto nas horas de trabalho perdidas durante a propagação da maldade. Muito dinheiro é jogado fora por causa dos reflexos no ambiente de trabalho derivados do falatório cuja origem é uma mente doente e povoada por capetinhas que ADORAM multiplicar-se boca afora, saltando por ela dessa mente que requer apenas piedade e, se possível, eliminação do meio organizacional.

O maior custo, no entanto, é crudelíssimo, com o perdão pelo aparente exagero do superlativo: será que já se mediu a repercussão da maledicência na vida da vítima porém em seu espectro conjugal, familiar, na sua vida privada enfim, nas quais seu estado emocional maltratado pode levar a comportamentos inadequados?

De qualquer forma, esta é uma demanda que precisa ser enfrentada por todos na empresa, a começar pelos profissionais do comportamento humano, lotados nas áreas de RH: tolerância zero, imediata ação punitiva quando determinada pessoa for identificada como foco de maldades verbais e todo esforço na eventual necessidade de reabilitação da imagem das pessoas afetadas pelo veneno das maledicentes.

Nunca esquecerei o dia em que apareceu um vidrinho de soro antiofídico universal sobre a mesa de determinada criatura, por todos execrada em certa empresa por sua ação maledicente e a enorme comoção que o fato causou. Nunca se soube o autor mas sempre se admitiu que ele (ou ela) tinha lá as suas razões…

Autor: Benedito Milioni

42 anos de carreira em Gestão de Pessoas, como técnico, gestor e prestador de serviços.

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