Ingredientes para Planejar 2017

Mas temos que planejar! Afinal, o que seria de nós se não cumpríssemos pelo menos esse ritual dentre outros da imensa liturgia corporativa? Temos que planejar!

Desde que é unânime a crença de que se deve planejar para que se possa pelo menos obter uma antevisão do acerto, temos um Brasil sem rumos que, entre soluços e sustos, os primeiros por puro desespero e os segundos em razão da moqueca de endemias como corrupção, incompetência e mal-caratismo, temperada com fortes doses de corrosivas ameaças como a rápida expansão das redes de comandos criminosos, a costumeira hipótese de mais uma impeachment e a briga de comadres em que se transformaram as relações entre os Poderes da nossa esfarrapada república. Um cachorro em caminhão de mudanças está menos perdido, pode-se supor diante desse quadro.

Mas temos que planejar! Afinal, o que seria de nós se não cumpríssemos pelo menos esse ritual dentre outros da imensa liturgia corporativa? Temos que planejar!

A par dos cânones do Planejamento, que começam pela Análise SWOT tão citada e a gosto de todos os palestrantes sobre gestão, passando pela miríade de passos e técnicas do Planejamento Integrado Estratégico (adorei esse título…não entendi mas adorei!), penso que valeria o esforço o ato de considerar sem preconceitos a seguinte lista de ingredientes que podem compor a salada do Planejamento pátrio em 2017:

  • Planejar para quatro cenários: realista, otimista, pessimista e tenebroso, sem esquecer que tudo pode piorar, a depender dos humores do Planalto Central e, nesse caso, não seria improvável ter que incluir o cenário cataclísmico!
  • Olho crítico nas análises econômicas da imprensa especializada, porque nem sempre blindada contra simpatias e antipatias ideológicas ou longe de oportunos alinhamentos  ao governo de momento.
  • Análises econômicas de televisivos não são fonte das mais seguras, porque suas falas devem caber na secundagem determinada pelo diretor do jornal e aí a necessária extensão do conteúdo vai pro brejo.
  • Cuidado com as projeções dos economistas, porque onze entre cada dez destas projeções se contradizem e explicam menos que os balbucios de adolescentes chegando em casa às três da manhã.
  • Jamais esquecer uma das Leis de “Murphy, reputado cronista das baboseiras corporativas da geração boomer para cá: se pode dar errado, dará e , se houver dúvida se dará certo, dará errado.

    Por último e sem ser menos importante por isso, recomenda-se uma dose generosa de reza brava, umas visitinhas aos consultores espirituais das feiras de artesanato de fim de semana e dar uma olhadinha nos oráculos, pedras rúnicas, cartas do Tarô e reler As Profecias de Nostradamus depois, é claro, de uma consultoriazinha básica com o João Bidú!

Autor: Benedito Milioni

42 anos de carreira em Gestão de Pessoas, como técnico, gestor e prestador de serviços.

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